“ESTE PRODUTO CONTÉM MAIS DE 4.700 SUBSTÂNCIAS TÓXICAS, ALÉM DE NICOTINA QUE CAUSA DEPENDÊNCIA FÍSICA OU PSÍQUICA. NÃO EXISTEM NÍVEIS SEGUROS PARA O CONSUMO DESTAS SUBSTÂNCIAS.”
É exatamente isto que está escrito no cigarro.
Mais de 4.700 substâncias tóxicas. Um número tão vago que poderia significar dez mil. Mas está lá. Letras grandes, brancas, em fundo azul. E, mesmo assim, continuam vendendo.
Na cerveja consta apenas um discreto “este produto destina-se ao público adulto” e um “beba com moderação”, ambos pouco visíveis. Se não procurar, nem percebe. Não há sequer um alerta explícito de que a venda é proibida para menores de 18 anos.
Não vou me dar ao trabalho de pesquisar e divulgar estatísticas sobre mortes provocadas pelo consumo de cigarro e de bebida alcoólica. Basta observar o cotidiano. A cerveja, inclusive, é amplamente consumida, também por uma grande parcela de menores de idade.
Ou seja, o cidadão pode ser viciado em cigarro e em bebida. O motivo é simples: ambos dão lucro. São produtos que contribuem significativamente para a arrecadação de impostos municipais, estaduais e federais. E, ainda assim, permanecem altamente rentáveis.
Quem, em sã consciência administrativa e arrecadatória, teria coragem de mexer num negócio assim?
A maconha, por outro lado, é tratada como crime grave. Associada ao tráfico de drogas, de armas e ao crime organizado. O sujeito flagrado com pequenas quantidades para consumo próprio é enquadrado de forma semelhante àquele envolvido em grandes esquemas de tráfico.
Quando se trata de cigarro e bebida, a lógica é outra. A responsabilidade é transferida integralmente para o indivíduo. Quer consumir? Consuma. O problema passa a ser seu.
Mesmo que o consumo transforme uma parcela significativa da população em doentes, parece mais conveniente arcar com esse custo social a médio e longo prazo do que abrir mão da arrecadação imediata.
Ninguém planta cevada no quintal e fabrica cerveja.
Ninguém planta tabaco no quintal e fabrica cigarro.
Combate-se com muito mais rigor o contrabando de cigarros do que crimes patrimoniais de grande impacto. É simples entender: quando o cigarro entra sem imposto, o Estado perde. Quando um carro é roubado e você compra outro, a arrecadação continua.
A maconha, ao contrário, pode ser plantada. Não gera imposto. Ainda não. Mas quando houver uma forma eficiente de tributar, qualquer um poderá comprá-la legalmente. E, então, a responsabilidade será novamente sua se quiser consumir ou não.
O PODER CONTÉM MAIS DE 4.700 SUBSTÂNCIAS TÓXICAS, ALÉM DE APEGO A UM ALTO PADRÃO FINANCEIRO, E CAUSA DEPENDÊNCIA FÍSICA OU PSÍQUICA. NÃO EXISTEM NÍVEIS SEGUROS PARA O CONSUMO DESTAS SUBSTÂNCIAS.
Você é um cidadão livre, com direito a expressar suas opiniões baseado naquilo que você consegue perceber do mundo em que vive, seja através de observação, vivência, informação, comunicação.
A forma como você percebe o mundo está diretamente relacionada com o seu nível de informação, recebido diretamente pelos canais de comunicação de que dispõe e socialmente influenciado pelo que vivencia, pelo que observa, pelo que ouve.
(Originalmente publicado em 06/04/2008)
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