VOZES DA MINHA CABEÇA

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO 4ª PARTE – VERDADES E MENTIRAS SOBRE A MENTIRA

Já ouviu dizer que mentira tem perna curta? Será que isso é verdade? Ou também existe mentira de perna longa?

Você nem precisa se esforçar muito para lembrar de ter contado uma mentira que nunca ninguém descobriu.

Tanto quanto a verdade, a mentira é um recurso do comportamento humano.

Estudos e observações sobre o comportamento indicam que poucas pessoas conseguem conversar por longos períodos sem recorrer a algum tipo de mentira, por mais inocente, inofensiva, irrelevante e — aí está o mais grave — desnecessária que ela seja.

Mentiras podem machucar, magoar, iludir, envolver, seduzir, entreter, lesar, mas também podem não causar coisa alguma.

Existem mentiras úteis, inúteis, bem-intencionadas e mal-intencionadas.

Na categoria das úteis estão aquelas usadas para escapar de situações indesejáveis, evitar constrangimentos ou mesmo para nos valorizar de alguma forma. Um exemplo clássico é dizer que conhecemos alguém que, na verdade, não conhecemos, desde que isso seja difícil de checar. Quantas pessoas não se apresentam melhor dizendo que prestaram consultoria para grandes empresas? Fica bonito na fita.

As mentiras inúteis não servem para nada. Mente-se por hábito. Não para disfarçar, não para fugir, não para ganhar vantagem. De repente, no meio de uma conversa, alguém mente sem qualquer propósito. E o curioso é que, geralmente, todo mundo já sabe que aquela pessoa mente mesmo.

As mentiras bem-intencionadas talvez sejam as mais curiosas. Muitas vezes inúteis, mas psicologicamente poderosas. É a história do beijinho que passa. Ou aceitar comer algo que se detesta só porque é a primeira vez que se almoça na casa da sogra. Para que comer jiló se você não gosta de jiló?

E as mal-intencionadas? Essas nem precisam de ilustração. Todos conhecemos um vasto repertório de mentiras que sempre nos lesam de alguma maneira.

Tempos modernos.

A grande injustiça que se faz à mentira é esquecer que, tanto quanto a verdade, ela ajudou a construir a história do mundo. Fatos históricos foram sustentados por mentiras. Personagens históricos também o foram. E precisamos ser honestos ao tratar a mentira nesse contexto, pois ela continua existindo na nossa sociedade e, de forma hipócrita, nas nossas relações.

A verdade é uma mentira bem contada. A mentira é a verdade que, na verdade, o mentiroso gostaria que fosse.

O certo é que ninguém sabe o tamanho das pernas da mentira.

Na velocidade de um mundo onde nenhuma verdade é eterna, por que seria eterna a mentira?

Preferencialmente, não minta. Mas, se um dia tiver que mentir, por favor, minta de verdade.

Você é um cidadão livre, com direito a expressar suas opiniões baseado naquilo que você consegue perceber do mundo em que vive, seja através de observação, vivência, informação, comunicação.

A forma como você percebe o mundo está diretamente relacionada com o seu nível de informação, recebido diretamente pelos canais de comunicação de que dispõe e socialmente influenciado pelo que vivencia, pelo que observa, pelo que ouve.

(Originalmente publicado em 28/03/2008)

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