Você é um cidadão livre, com direito a expressar suas opiniões baseado naquilo que você consegue perceber do mundo em que vive, seja por meio de observação, vivência, informação, comunicação.
A forma como você percebe o mundo está diretamente relacionada com o seu nível de informação, recebido diretamente pelos canais de comunicação de que dispõe e socialmente influenciado pelo que vivencia, pelo que observa, pelo que ouve.
Se você é milionário, o som do brinde de champanhe em taças de cristal lhe é comum.
Se você é favelado, o som de tiros de AR15 lhe é inconfundível.
O acesso à informação é tudo.
Para uma parcela significativa da população, o político é percebido como corrupto, desonesto, ladrão.
Alguém que desvia, rouba, furta e usufrui os bens do Estado em favor próprio.
Os bens usurpados do Estado, financiados por todos, deixam de servir à população que os gera e passam a enriquecer quem deveria empregá-los em benefício coletivo.
O resultado dessa lógica é sentido no cotidiano: falta acesso a um sistema de saúde decente; a violência e a insegurança avançam sobre os lares; uma legislação trabalhista atrasada já não assegura remuneração justa; os mais humildes têm dificuldade até para garantir alimentação básica; ruas e estradas são deficientes; o transporte público é caro e ineficiente; e, ao final do mês, mal sobra esperança.
A falta de educação limita a capacidade de compreensão da realidade, fazendo com que as pessoas percebam o mundo apenas a partir do que conseguem observar, vivenciar, ouvir e do tipo de informação que recebem por meio dos canais aos quais têm acesso.
O som do brinde de champanhe em taças de cristal continua comum a poucos, enquanto os tiros de AR15 se tornam cada vez mais inconfundíveis para muitos.
Lembre-se, você é um cidadão livre, com direito a expressar suas opiniões.
(Originalmente publicado em 02/03/2008)