VOZES DA MINHA CABEÇA

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO 2ª PARTE – PAPAI NOEL

Até os seis, sete anos, ou mais um pouquinho, a maioria de nós acredita em Papai Noel.

Papai Noel é a redenção.

Vale a pena ficar bonzinho. Vale a pena tomar banho todos os dias, dormir na hora certa, não brigar com os irmãos, tirar boas notas, ser um filho carinhoso, um sobrinho educado, um neto devotado, um amigo do peito. Afinal, o cara é Papai Noel.

Papai Noel é merecimento. Um troféu pela boa pessoa que a gente deve ser.

Até os quatro, cinco anos de idade a gente acredita ainda em coelhinho da Páscoa. A gente só vê mesmo o ovo. O coelhinho da Páscoa propriamente dito, tal qual Papai Noel pondo presentes na árvore, ninguém nunca viu.

E o bicho-papão, que por tantos anos nos persegue? Sem falar em assombrações, espíritos de luz, colégio interno, corte de mesada… Sempre nos assombrando.

Mas eis que chega um dia no qual descobrimos que tudo isso era uma farsa.

Papai Noel era uma farsa. Aquele gordinho simpático era apenas um ator servindo ao mundo capitalista. O vovô que todo mundo acha que merecia ter tido. Um ator.

A partir daí, você começa a ouvir explicações para tudo. Que o coelhinho da Páscoa não passa de um símbolo criado para movimentar a indústria do chocolate. Que assombrações são recursos narrativos, efeitos especiais, histórias repetidas para alimentar o imaginário coletivo. Que colégio interno é lugar de formação rígida, quase um treinamento de comportamento. Que o corte de mesada é uma introdução precoce ao mundo dos negócios.

Nesse mundo, presente de Natal tem preço, ovo de Páscoa tem preço e cada um que se vire com suas próprias assombrações e espíritos de luz.

Geralmente, por força do costume familiar, você acaba descobrindo afinidade com uma religião. E descobre Deus. E descobre que, ao contrário do Papai Noel e do coelhinho da Páscoa, Deus continua existindo. E essa religião dita o modo como você deve adorar a Deus. E dita o modo como você deve se relacionar com o mundo.

E tanto quanto o Papai Noel colocando presentes na árvore e o coelhinho da Páscoa entregando os ovos, você não vê Deus. Mas Deus você sente. O nome disso é fé.

Você é um cidadão livre, com direito a expressar suas opiniões baseado naquilo que você consegue perceber do mundo em que vive, seja através de observação, vivência, informação, comunicação.

A forma como você percebe o mundo está diretamente relacionada com o seu nível de informação, recebido diretamente pelos canais de comunicação de que dispõe e socialmente influenciado pelo que vivencia, pelo que observa, pelo que ouve.

(Originalmente publicado em 11/03/2008)

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