VOZES DA MINHA CABEÇA

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO – ENFIM…

Daria para passar a vida inteira escrevendo teorias da conspiração. Das que tentam explicar o movimento da Terra às que atribuem atentados terroristas a acidentes aéreos, como já circulou pela internet em diferentes momentos.

Mas é preciso enxergar com clareza que o mundo contemporâneo nada mais é do que uma versão modernizada — e altamente sofisticada — dos antigos impérios. E, como nos impérios, a característica central continua sendo o domínio.

Os métodos utilizados hoje por grandes corporações multinacionais não são tão diferentes das antigas legiões. Mudaram as armaduras, mudaram as armas, mudaram os discursos. O objetivo permanece.

As armas atuais são mais eficientes do que os mísseis. Elas não matam. Elas dominam. Não destroem territórios físicos, mas ocupam o imaginário coletivo por meio da difusão de culturas, hábitos e padrões de consumo.

Quando grandes marcas globais tentam impor produtos e comportamentos a diferentes sociedades, não estão apenas vendendo mercadorias, mas exportando modos de vida. Às vezes funciona. Às vezes não. Mas a tentativa é constante.

Enviar redes de fast-food, marcas, estilos e valores para outros países é uma forma moderna de expansão cultural. E esse é apenas um entre inúmeros exemplos.

É uma integração que, ao mesmo tempo, aproxima e submete.

Somos vítimas permanentes das teorias da conspiração porque elas são criadas exatamente para isso: para que sejamos apenas vítimas. Para que busquemos culpados externos enquanto ignoramos o sistema que nos molda diariamente.

O time para o qual você torce, a novela que assiste, o celular que prefere, o sapato que compra, o corte de cabelo que usa, o combustível que coloca no carro, o próprio carro — tudo isso chegou até você por meio de um sistema psicossocial, cultural e simbólico extremamente complexo, que o enquadrou em determinados padrões de comportamento e passou a oferecer as formas possíveis de pertencimento.

E como toda teoria da conspiração se sustenta na ideia de que existe sempre uma hipótese oculta por trás dos fatos, os fatos, em si, nunca são exatamente como parecem ser.

Não, você não é um cidadão livre.

Você tem o direito de formar e expressar suas opiniões com base naquilo que consegue perceber do mundo em que vive — por meio da observação, da vivência, da informação e da comunicação. E isso significa, necessariamente, que você só conhece as coisas importantes da maneira como elas chegam até você.

Somos a sociedade do consumo. E, compulsoriamente, consumimos também as teorias da conspiração.

Enfim…

Originalmente publicado em 13/04/2008)

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